Se há uma máxima que o RH precisa revisar em 2026 é contratar estagiário olhando currículo, mas efetivar olhando o comportamento. Uma pesquisa nacional encomendada pelo CIEE ao Instituto Locomotiva e divulgada em fevereiro deste ano revelou um dado que muda completamente a forma como as empresas devem planejar seus programas de estágio.

84% das empresas valorizam mais a abertura ao aprendizado do que o domínio técnico na hora de efetivar estagiários.

Isso significa que o jogo virou. Enquanto o recrutamento ainda se apoia em faculdade, idiomas e experiências anteriores, a decisão final sobre quem fica na empresa após o contrato de estágio depende de fatores completamente diferentes: disciplina, postura, proatividade e, principalmente, alinhamento cultural.

Neste artigo, vamos explorar os dados completos dessa pesquisa, o que eles significam na prática para o seu RH e como estruturar um programa de estágio que forme talentos prontos para a efetivação.

O peso do comportamento superou o do currículo

A pesquisa ouviu 260 profissionais de RH responsáveis por programas de estágio e identificou uma mudança estrutural no critério de efetivação.

Disciplina, pontualidade, postura profissional, proatividade e fit cultural aparecem hoje à frente das habilidades técnicas. O domínio técnico continua sendo importante, mas passou a ser visto como requisito básico, não como diferencial decisivo.

O nome da faculdade, que durante décadas funcionou como filtro poderoso nos processos seletivos, também perdeu força. O que realmente importa agora é a predisposição para aprender continuamente.

Soft skills mais valorizadas na hora da efetivação

Se o comportamento é o novo critério rei, quais habilidades específicas os gestores estão buscando? Com base na pesquisa e em análises de mercado, as principais soft skills para efetivação são:

Abertura ao aprendizado contínuo

A capacidade de aprender é hoje mais valiosa do que o conhecimento já adquirido. Estagiários que demonstram curiosidade genuína, buscam entender o “porquê” das tarefas e recebem bem o feedback têm muito mais chances de serem efetivados.

Comunicação eficaz

Saber se expressar com clareza, ouvir ativamente e adaptar o diálogo a diferentes contextos reduz ruídos, evita retrabalho e acelera o desenvolvimento. Para o negócio, isso se traduz em eficiência operacional.

Adaptabilidade e flexibilidade

Mudanças fazem parte da rotina corporativa. Estagiários que lidam bem com imprevistos, ajustam rotas com agilidade e mantêm o foco em resultados mesmo diante de desafios são percebidos como profissionais de alto potencial.

Autodisciplina

A capacidade de trabalhar com pouca supervisão, cumprir prazos e manter a produtividade mesmo em modelos remotos ou híbridos é um diferencial enorme. Isso demonstra maturidade profissional e comprometimento.

Trabalho em equipe

A cooperação, o respeito às diferenças e a disposição para construir soluções em conjunto fortalecem a performance coletiva e reduzem conflitos. Estagiários colaborativos tendem a se integrar muito melhor às equipes.

Pensamento crítico

Mais do que executar tarefas, as empresas buscam estagiários que saibam avaliar problemas, propor soluções e contribuir de forma estratégica. Essa habilidade indica potencial para assumir responsabilidades progressivas.

O papel da liderança no desenvolvimento

A pesquisa do CIEE Locomotiva também jogou luz sobre um ponto frequentemente negligenciado: o desenvolvimento do estagiário depende mais da liderança do que do formato de trabalho, seja presencial ou remoto.

Os números são reveladores:

  • 63% dos profissionais de RH acreditam que gestores muitas vezes não conseguem dar atenção suficiente ao desenvolvimento dos estagiários.
  • 85% defendem treinamento específico para líderes que atuam com jovens talentos.

Isso significa que não adianta contratar bem se a liderança não estiver preparada para desenvolver. O gestor imediato é a figura central na jornada do estagiário: é ele quem dá feedback, orienta, desafia e avalia o potencial de longo prazo.

Sobre este tema, vale conferir nosso guia completo sobre como se preparar para entrevistas de estágio, que também aborda o papel dos líderes na atração dos melhores candidatos.

Presencial vs. remoto: o que pesa na efetivação?

A pesquisa revelou um dado interessante sobre a relação entre modelo de trabalho e chances de efetivação.

83% dos profissionais de RH acreditam que o modelo presencial aumenta as chances de efetivação.

No entanto, 78% reconhecem que o desenvolvimento do estagiário depende mais da liderança do que do formato presencial ou remoto. Ou seja, há uma percepção de que o presencial facilita, mas o que realmente faz a diferença é a qualidade da gestão.

O problema é que existe um descompasso claro entre expectativa dos jovens e prática das empresas:

  • 85% dos programas de estágio ainda são totalmente presenciais.
  • 55% dos profissionais de RH reconhecem que os estudantes preferem formatos flexíveis.

Para as empresas que conseguirem equilibrar essa equação, oferecendo flexibilidade sem perder a qualidade do desenvolvimento, a vantagem competitiva na atração e retenção de talentos será um destaque.

O desafio da rotatividade nos programas de estágio

Outro dado preocupante da pesquisa: 68% das empresas contratam estagiários sob demanda, sem programas contínuos e estruturados. Apenas 32% mantêm programas ao longo de todo o ano.

Entre essas empresas com programas contínuos, a rotatividade é o principal problema, citado por 26% dos entrevistados. Em 17% dos casos, os estagiários desistem porque a bolsa e as condições não são atrativas ou difíceis de conciliar com os estudos.

Isso mostra que, para reter talentos e aumentar as chances de efetivação, não basta selecionar bem. É preciso:

  • Oferecer bolsas compatíveis com o mercado.
  • Criar condições para conciliar estágio e faculdade.
  • Estruturar programas com começo, meio e fim, e não apenas contratações pontuais.

Sobre este ponto, recomendamos a leitura do nosso artigo sobre tendências 2026 em estágio e aprendizagem, que aprofunda as mudanças no perfil dos jovens talentos.

Como estruturar um programa que prepare para a efetivação

Diante de todos esses dados, fica claro que a efetivação não pode ser tratada como consequência automática do estágio. Ela precisa ser planejada desde o primeiro dia. 

Veja um passo a passo prático:

Seleção com foco em potencial

Se o comportamento pesa mais na efetivação, ele também precisa pesar mais na seleção. Invista em entrevistas por competências, dinâmicas que observem interação e testes que avaliem não só conhecimento técnico, mas também habilidades como comunicação, resolução de problemas e trabalho em equipe.

Uma dica valiosa é utilizar a técnica STAR (Situação, Tarefa, Ação e Resultado) nas entrevistas. Ela ajuda a entender como o candidato se comportou em situações reais do passado.

Onboarding que integra à cultura

O processo de integração é o momento de alinhar expectativas e apresentar a cultura da empresa. Não basta entregar o crachá e mostrar a mesa. É preciso explicar propósito, valores e como o trabalho daquele estagiário impacta os resultados.

Definir um “padrinho” ou mentor nas primeiras semanas também faz toda a diferença. Alguém que seja referência técnica e comportamental, ajudando na ambientação.

Para se aprofundar no tema, confira nosso artigo sobre como se cadastrar no CIEE/SC e acessar as vagas, que traz dicas valiosas sobre o início da jornada.

Trilhas de desenvolvimento estruturadas

Ao invés de “deixar acontecer”, crie marcos de evolução. Comece com tarefas de suporte e, gradualmente, delegue pequenos projetos com início, meio e fim. Isso desenvolve responsabilidade e permite avaliar capacidade de entrega e inovação.

As trilhas devem incluir tanto hard skills (conhecimentos técnicos específicos da área) quanto soft skills (comunicação, colaboração, inteligência emocional).

Feedback contínuo, não apenas anual

A Geração Z demanda feedback constante. Esperar o fim do contrato para avaliar é um erro que compromete o desenvolvimento e aumenta as chances de desistência.

Estabeleça checkpoints mensais e reuniões rápidas para alinhar o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Valorize as pequenas vitórias e dê orientações claras sobre o que precisa melhorar.

Uma cultura de feedback forte também fortalece a segurança psicológica e o vínculo com a empresa.

Visão clara de futuro

Deixe claro desde cedo quais são as possibilidades de efetivação. Se a empresa possui plano de carreira, mostre-o. Se há critérios objetivos para a transição para CLT, compartilhe-os.

Estagiários que enxergam futuro na empresa se engajam muito mais e desenvolvem senso de pertencimento.

Sobre este ponto, vale a leitura do nosso artigo sobre como medir o sucesso de um programa de estágio, que aborda indicadores de retenção e efetivação.

O papel do agente de integração

Estruturar um programa de estágio de alta performance exige tempo, expertise e conhecimento da legislação. É aí que entra o CIEE SC como parceiro estratégico do seu RH.

Com mais de 5 mil organizações parceiras em Santa Catarina, o CIEE SC oferece:

  • Apoio na seleção de candidatos alinhados ao perfil da sua empresa.
  • Garantia de conformidade com a Lei do Estágio (11.788/2008).
  • Orientação sobre direitos e deveres de empresa e estagiário.
  • Suporte na documentação e administração dos contratos.
  • Acompanhamento do desenvolvimento dos estagiários.

Tudo isso permite que seu RH foque no que realmente importa: desenvolver talentos e prepará-los para a efetivação.

Conclusão

O comportamento superou o currículo como principal critério de efetivação. Isso não significa que conhecimento técnico perdeu a importância, mas que ele se tornou requisito básico. O diferencial, hoje, está nas soft skills: abertura ao aprendizado, comunicação, adaptabilidade, autodisciplina, trabalho em equipe e pensamento crítico.

Para o RH, o desafio é duplo: selecionar candidatos com esse perfil comportamental e, ao mesmo tempo, preparar lideranças para desenvolver esses talentos ao longo do programa.

Quando a empresa investe tempo na formação, ela cria um profissional moldado à sua cultura. O que é muito mais vantajoso e eficiente do que buscar no mercado depois.

Sua empresa está pronta para formar os líderes de amanhã?

O CIEE SC é o parceiro ideal para estruturar um programa de estágio que não apenas cumpra a lei, mas que efetivamente forme talentos prontos para a efetivação.

Oferecemos suporte completo, da seleção ao acompanhamento, garantindo que sua empresa aproveite ao máximo o potencial dos jovens talentos.