O Programa de Aprendizagem, ou Jovem Aprendiz, completou 25 anos em 2025 com números recordes: mais de 710 mil jovens contratados formalmente no país, segundo o Caged. Mas o crescimento também expõe fragilidades. Muitas empresas ainda cometem erros na gestão de jovens aprendizes, e esses erros custam caro: multas, passivos trabalhistas, rotatividade e desperdício de talento.
Neste artigo, você vai conhecer os erros mais comuns na gestão de jovens aprendizes, entender por que eles acontecem e, mais importante, como evitá-los. O objetivo não é apontar culpados, mas ajudar o RH a transformar o programa de aprendizagem em uma ferramenta estratégica de formação de talentos.
Erro 1: desvio de função
O desvio de função é, de longe, a irregularidade mais frequente nos programas de aprendizagem. Acontece quando o jovem é contratado como aprendiz, mas na prática executa tarefas que nada têm a ver com sua formação teórica ou que demandam qualificação profissional plena, como operar máquinas pesadas, atender clientes finais ou substituir funcionários efetivos em férias.
O problema é grave. O Ministério Público do Trabalho (MPT) já autuou empresas por essa prática, com Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) que incluem multas de por situação irregular e o compromisso de não usar aprendizes para suprir carência de mão de obra efetiva. Quando o aprendiz exerce função de empregado comum, o contrato perde sua finalidade pedagógica.
Como evitar: o plano de atividades do aprendiz precisa ser claro, específico e vinculado à formação teórica. Nada de “auxiliar em tarefas administrativas” sem detalhamento. A lista de tarefas deve refletir o que o jovem está aprendendo no curso teórico. E o supervisor precisa acompanhar de perto para garantir que não haja desvio.
Erro 2: alta rotatividade
Substituir um colaborador pode custar entre 30% e 50% de sua despesa anual. Quando se trata de jovem aprendiz, o prejuízo é ainda maior porque o investimento em formação teórica é feito desde o início. Um aprendiz leva alguns meses para começar a contribuir de fato. Mas se ele sai antes desse período, a empresa investiu no desenvolvimento, mas não colheu os frutos.
Além do custo financeiro, há o desgaste do clima organizacional e a sobrecarga das lideranças, que precisam reiniciar treinamentos constantemente.
Como evitar: a retenção começa na seleção e a transparência na divulgação da vaga é a primeira barreira contra a saída precoce. O filtro deve ser rigoroso para evitar perder o talento no terceiro mês. O segredo é o equilíbrio entre técnica e fit cultural, e não apenas o valor da remuneração.
Erro 3: falta de acompanhamento do supervisor
A figura do supervisor é central no desenvolvimento do aprendiz porque é com o seu auxílio que o jovem aprende sobre responsabilidade, pontualidade, trabalho em equipe, comunicação e compromisso. Para muitos aprendizes, essa é a primeira experiência profissional. O que eles aprendem ali, levam para toda a vida.
Mas na prática, muitos supervisores não recebem treinamento ou orientação sobre como desenvolver um jovem. Acabam tratando o aprendiz como mão de obra operacional, sem dar feedback, sem orientar, sem avaliar. Dessa forma, o jovem se sente abandonado, não aprende e, muitas vezes, pede demissão.
Como evitar: o RH precisa preparar os supervisores com treinamento, definição de responsabilidades e tempo dedicado ao acompanhamento. O supervisor precisa saber qual é o papel dele na formação daquele jovem.
Erro 4: falta de alinhamento entre teoria e prática
A Lei da Aprendizagem exige que o programa combine formação teórica, em entidade qualificadora, e formação prática na própria empresa. Mas em muitos casos, o que o jovem aprende no curso não tem nenhuma relação com o que ele faz no dia a dia.
O resultado é duplamente prejudicial: o jovem perde o interesse porque não enxerga sentido no que faz, e a empresa perde a chance de formar um profissional alinhado às suas necessidades.
Como evitar: o plano de atividades precisa ser construído em parceria com a entidade formadora. O CIEE SC, por exemplo, atua como agente de integração, garantindo que a prática dialogue com a teoria e que o jovem desenvolva tanto competências técnicas quanto comportamentais.
Erro 5: tratar o aprendiz como mão de obra barata
Esse é um dos erros mais estruturais. O aprendiz tem carteira assinada, salário, FGTS, 13º, férias e jornada reduzida. No entanto, muitas empresas enxergam o programa apenas como uma forma de preencher vagas operacionais com custo reduzido.
O problema não é apenas legal, devido ao desvio de função, mas também estratégico. Empresas que tratam o aprendiz como mão de obra barata perdem a oportunidade de formar talentos que poderiam, no futuro, ocupar posições relevantes.
Como evitar: o programa de aprendizagem precisa ser visto como investimento, não como custo. Empresas que fazem isso direito colhem frutos: segundo dados da Companhia de Estágios, a taxa de permanência de aprendizes durante o programa chega a 94%, e 47% são efetivados ao final do contrato.
Erro 6: desconhecimento da cota legal
Muitas empresas não sabem quantos aprendizes precisam contratar ou sequer sabem que são obrigadas. A Lei da Aprendizagem exige que empresas de médio e grande porte mantenham entre 5% e 15% de aprendizes em seu quadro de funções que demandam formação profissional.
O descumprimento pode resultar em multas que variam de R$ 1.500 a R$ 3.000 por aprendiz e por mês. Além disso, a fiscalização tem se intensificado. Em 2025, o Brasil bateu recorde consecutivo de contratações, impulsionado também pelo aumento da atuação do Ministério do Trabalho e Emprego.
Como evitar: o primeiro passo é calcular a cota corretamente. Liste todas as funções que demandam formação profissional (excluindo cargos que não exigem qualificação específica) e aplique o percentual de 5% a 15%. Depois, estruture o programa ou conte com o CIEE SC como um parceiro especializado.
Erro 7: ignorar o desenvolvimento comportamental
Além do conhecimento técnico, o jovem aprendiz precisa de comunicação, trabalho em equipe, responsabilidade, pontualidade e proatividade. Essas competências comportamentais são o que define, no futuro, se ele será um bom profissional.
Empresas que ignoram esse aspecto formam aprendizes tecnicamente capazes, mas imaturos para os desafios do mercado. Além disso, perdem talentos que poderiam reter.
Como evitar: o programa de aprendizagem precisa incluir, além da formação técnica, atividades que desenvolvam comportamento. O CIEE SC oferece acompanhamento pedagógico e formações complementares que fortalecem essas competências. Uma pesquisa do CIEE-RS mostrou que 95,3% dos jovens estagiários e aprendizes se interessam por programas de mentoria, uma das formas mais eficazes de desenvolver comportamento.
Erro 8: falta de comunicação entre RH, supervisores e entidade formadora
O programa de aprendizagem tem três pilares: a empresa, o jovem e a entidade formadora. Quando esses três não conversam, o programa desanda. O RH não sabe o que o supervisor está fazendo, o supervisor não sabe o que o jovem está aprendendo no curso e a entidade formadora não sabe se a prática está alinhada à teoria.
Como evitar: crie rituais de comunicação, como reuniões periódicas entre RH e supervisores, avaliações trimestrais compartilhadas com a entidade formadora, feedback contínuo para o jovem, entre outros. O CIEE SC, como agente de integração, atua justamente nessa ponte, garantindo que os três lados estejam alinhados durante todo o contrato.
Como o CIEE SC ajuda sua empresa a evitar esses erros
O CIEE SC é um agente de integração autorizado, com atuação em todo o estado de Santa Catarina. A parceria com o CIEE SC viabiliza a divulgação de vagas, acesso a banco de talentos, além de apoio especializado na seleção de jovens, documentação e conformidade legal durante todo o processo.
Na prática, o CIEE SC oferece:
- Seleção qualificada: encaminhamento de jovens com perfil alinhado ao negócio
- Capacitação teórica obrigatória: cursos que combinam conhecimento técnico e comportamental
- Acompanhamento contínuo: suporte pedagógico e administrativo durante todo o contrato, garantindo o desenvolvimento e a permanência do jovem
- Conformidade legal: contratações com base na Lei da Aprendizagem, com assessoria de equipe multidisciplinar do início ao fim
O CIEE SC está aqui para ajudar sua empresa a estruturar um programa de aprendizagem eficiente, dentro da lei e com foco no desenvolvimento de talentos.
Fale com o CIEE SC e transforme seu programa de aprendizagem hoje mesmo.