O feedback é uma das ferramentas mais subutilizadas na gestão de jovens talentos. Não porque gestores não saibam de sua importância, mas porque muitos não sabem como aplicá-lo de forma que realmente desenvolva e não desmotive.
Para jovens em início de carreira, o feedback é uma ferramenta essencial para o aprendizado contínuo. Quando bem estruturado, ele oferece clareza sobre o que está sendo feito bem e onde é possível melhorar, ajudando o estagiário ou aprendiz a desenvolver habilidades de forma mais eficaz. Quando mal aplicado, vira motivo de desengajamento e, em muitos casos, de desligamento.
A diferença entre um feedback que gera crescimento e um que gera frustração está na forma como ele é conduzido.
Qual a importância do feedback?
Dados recentes mostram que a demanda por feedback não é um capricho da Geração Z, mas uma necessidade real de desenvolvimento.
Segundo a pesquisa Carreira dos Sonhos, da Cia de Talentos, o desenvolvimento tem sido apontado como o principal motivo para jovens considerarem uma empresa como um lugar dos sonhos para trabalhar há 14 anos consecutivos.
O que isso significa? Que o jovem que não vê evolução dentro da empresa busca evolução fora.
Outro levantamento, da PwC, revelou que 65% da Geração Z gostaria de ter feedback constante e oportunidades de desenvolvimento para ter clareza do que fazer para crescer.
Além disso, 94% dos funcionários melhoram no trabalho quando recebem feedback claro e constante. O feedback frequente é um dos principais fatores de engajamento para profissionais da Geração Z.
Erros comuns ao dar feedback para jovens
1. Focar apenas nos erros
Criticar sem oferecer soluções construtivas desmotiva. Feedbacks precisam equilibrar reconhecimento de acertos e sugestões de melhoria. O jovem que só ouve o que faz errado aprende a temer o feedback, não a buscá-lo.
2. Ser vago
Um feedback vago, como “você precisa melhorar sua comunicação”, não ajuda ninguém. O jovem não sabe o que exatamente precisa ajustar. Em vez disso, forneça exemplos como: “Em sua última apresentação, foi difícil entender seus pontos principais. Tente resumir suas ideias em três tópicos principais”.
3. Deixar para depois
Adiar o feedback faz com que a conversa perca força e credibilidade. Quanto mais tempo passa, mais difícil fica resgatar o contexto e dar exemplos concretos. Quando adiamos a conversa, permitimos que pequenos desvios se tornem grandes problemas.
4. Fazer do feedback um evento
Feedback deve ser um processo contínuo, não uma prática reservada a momentos de crise. O jovem que só recebe retorno em avaliações formais passa meses sem saber se está no caminho certo.
Como estruturar feedbacks que realmente geram desenvolvimento
1. Seja específico e focado
Feedbacks vagos como “bom trabalho” ou “você precisa melhorar” não ajudam. Um feedback eficaz deve ser claro, específico e focado em comportamentos ou ações observáveis.
Evite generalizações. Ofereça feedback o mais próximo possível do evento. E, acima de tudo, fale sobre o que observou, diretamente, sem rodeios e sem julgamento pessoal.
2. Use a técnica do feedback sanduíche
Uma das abordagens mais eficazes para dar feedback a jovens talentos é a técnica do “sanduíche”. Ela consiste em:
- Começar com um comentário positivo
- Apresentar a área de melhoria
- Finalizar com uma mensagem de incentivo ou reconhecimento
Isso torna o feedback mais bem recebido e reforça a confiança do estagiário. Exemplo: “Você fez um ótimo trabalho organizando os dados da pesquisa. Para a próxima, tente ser mais direto na apresentação dos resultados. Tenho certeza de que, com mais prática, você vai melhorar rapidamente”.
3. Prepare o terreno
Antes de iniciar uma conversa de feedback, prepare-se. Reúna dados concretos sobre o desempenho do jovem, pense nos pontos que deseja abordar e no objetivo da conversa. Em vez de dizer “você precisa ser mais proativo”, explique situações específicas onde a proatividade poderia ter gerado melhores resultados.
4. Torne o feedback uma via de mão dupla
A comunicação deve ser uma via de mão dupla. Crie espaços regulares para que a Geração Z também possa dar feedback, e não apenas recebê-lo. O jovem que se sente ouvido se engaja mais com os projetos e com a cultura da empresa.
5. Crie um ambiente psicologicamente seguro
Check-ins informais regulares, como “Como você está se adaptando?” e o incentivo ao feedback e à escuta ativa são práticas que criam um ambiente onde o jovem se sente seguro para compartilhar suas preocupações.
A gestão humanizada oferece suporte emocional, permitindo que estagiários se sintam mais seguros em suas capacidades, reduzindo o risco de sobrecarga psicológica.
Como o CIEE SC apoia supervisores e empresas
Além de preparar jovens para o mundo do trabalho, o CIEE SC orienta as empresas sobre como desenvolver esses talentos depois que eles são selecionados para uma oportunidade de estágio ou aprendizagem.
O CIEE SC qualifica e apoia os profissionais responsáveis pelo acompanhamento de estagiários e aprendizes nas empresas parceiras, padronizando boas práticas de supervisão.
Além disso, oferecemos orientações práticas sobre como estruturar feedbacks eficazes, como a técnica do sanduíche e a importância da especificidade.
Fale com o CIEE SC e saiba como apoiar seus supervisores de estágio.