A Geração Z, pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, já representa 25% da força de trabalho brasileira e deve chegar a 30% até 2030. Em 2024, dos quase 104 milhões de trabalhadores no Brasil, 25,9 milhões tinham entre 18 e 29 anos, o equivalente a um quarto do total de ocupados.
Mas a presença numérica não se traduz automaticamente em engajamento. Uma pesquisa da consultoria EDC Group, com mais de 300 brasileiros, mostrou que a Geração Z é significativamente menos engajada no trabalho do que os millennials. E o Great Place to Work apontou que 76% dos profissionais de RH consideram a Geração Z o maior desafio atual para a gestão de pessoas.
O que os números mostram é que não se trata de uma geração “difícil” por natureza. A Geração Z foi socializada de forma diferente e que espera das empresas uma resposta à altura.
Rotatividade: o dado que não pode ser ignorado
Em 2025, o Brasil bateu recorde de demissões voluntárias. Mais de 2,4 milhões de jovens entre 18 e 24 anos pediram demissão, um aumento de 5,5% em relação a 2024. A taxa de rotatividade geral chegou a 36%, a maior já registrada, com 9 milhões de trabalhadores deixando seus empregos.
Entre os jovens de 17 a 24 anos, 42% dos pedidos de demissão partiram desse grupo. Em um centro de inovação em Piracicaba (SP), das 17 demissões ocorridas em 2024, dez foram de jovens com menos de um ano na empresa.
A alta mobilidade não é preguiça. Em um mercado com desemprego em 5,2% e renda em alta, trocar de emprego deixou de ser exceção e virou estratégia. Para a Geração Z, o vínculo com a empresa dura enquanto o aprendizado e as condições forem compatíveis com o que consideram justo.
LEIA MAIS: Como reduzir a rotatividade de jovens talentos: um guia para o RH
O que a Geração Z realmente valoriza
Levantamento da Robert Half com 500 profissionais qualificados mostrou que 86% da Geração Z apontam crescimento e promoção como principal foco, número que cai para 13% entre os baby boomers. O que explica a diferença não é “choque geracional”, mas o estágio de carreira: quem está começando prioriza desenvolvimento; quem está consolidado prioriza equilíbrio e estabilidade.
Segundo pesquisa da JBS com mais de 32 mil jovens, 60% priorizam crescimento e desenvolvimento profissional acima de salário e benefícios. Além disso, 89% da Geração Z consideram o propósito no trabalho fundamental para a satisfação profissional.
No dia a dia, isso se traduz em:
- Propósito e valores: a Geração Z quer saber por que faz o que faz.
- Flexibilidade e autonomia: a Geração Z prioriza home office e horários flexíveis. Pesquisa da Serasa Experian com 1.521 profissionais confirmou que flexibilidade é fator decisivo na escolha e permanência. A maioria é contra o trabalho 100% remoto, pois valoriza o contato presencial para aprendizado e socialização, mas rejeita o modelo rígido de 8 horas diárias.
- Crescimento contínuo e feedback: feedback imediato é uma das maiores preferências da Geração Z. Valorizam avaliações constantes, liderança próxima e percursos de desenvolvimento estruturados.
- Bem-estar e saúde mental: 48% da Geração Z não se sentem financeiramente estáveis, mas saúde mental pesa tanto quanto salário. São mais abertos a discutir saúde emocional e esperam que a empresa também esteja.
Como atrair, engajar e reter
Propósito e valores
A Geração Z não quer saber apenas o que a empresa faz. Quer saber por que faz e se aquilo está alinhado com o que acredita. Valores que antes apareciam como diferencial agora são critério eliminatório.
Flexibilidade e autonomia
A Geração Z rejeita modelos rígidos, mas também não quer o isolamento do 100% remoto. A maioria prefere o modelo híbrido (71%), que equilibra autonomia com a possibilidade de aprendizado presencial. Modelos baseados em hierarquias rígidas e pouca autonomia já não funcionam.
Crescimento contínuo e feedback
Processos seletivos longos e burocráticos (acima de uma semana) já afastam candidatos. Trilhas de desenvolvimento com metas definidas e feedbacks regulares, são o que retém.
Estudo da Gallup (2024) identificou os fatores que mais caíram no engajamento dos jovens: sentir que alguém se importa com eles no trabalho; ter oportunidades reais de aprendizado e crescimento; receber apoio para se desenvolver; ter conversas frequentes sobre progresso com as lideranças.
Como o CIEE SC contribui para a atração e retenção da Geração Z
A Geração Z prioriza o aprendizado contínuo ao escolher um emprego. Programas bem estruturados, com trilhas de desenvolvimento, mentorias e acompanhamento pedagógico, criam a percepção de que a empresa investe no jovem.
As empresas que estruturam programas de estágio e aprendizagem com o CIEE SC já estão respondendo a essa demanda.
O CIEE SC conecta empresas a mais de 5 mil organizações parceiras em Santa Catarina, oferecendo suporte da seleção à efetivação.
Fale com o CIEE SC e transforme seu programa de atração de jovens talentos.