Há uma frase que os recrutadores repetem sobre entrevistas de estágio e primeiro emprego: “A técnica a gente ensina. Comportamento e soft skills, não.”

E não é exagero. Uma pesquisa da Fundação Wadhwani com mais de 200 empresas apontou que as soft skills têm peso de 45% na decisão de contratação, quase empatando com as habilidades técnicas.

No Brasil, 84% dos empregadores ouvidos citaram a comunicação como a capacidade essencial para um candidato. Hoje, saber programar, falar inglês ou dominar um software já não é suficiente. O que faz um jovem ser chamado e, mais importante, ficar, é o conjunto de habilidades comportamentais que ele demonstra.

Aqui você vai entender quais soft skills estão no topo das listas das empresas e, principalmente, como desenvolvê-las na prática, sem depender de diploma ou curso caro.

O que são soft skills e por que elas importam tanto?

Soft skills são habilidades comportamentais, sociais e emocionais. Diferentemente das hard skills, que são técnicas, mensuráveis e específicas de cada profissão, as soft skills dizem respeito à forma como você se relaciona, resolve problemas, se comunica e reage a situações adversas. Elas são mais subjetivas, mas justamente por isso se tornaram o diferencial decisivo em processos seletivos.

Na era das IAs e do digital, a capacidade de se relacionar com as pessoas, de entender nuances da complexidade humana e de trabalhar em equipe é o que separa um profissional memorável de um profissional substituível. O relatório da McKinsey & Company mostra que recrutadores enfrentam cada vez mais dificuldade para encontrar candidatos que possuam essas competências.

Quais são as soft skills mais valorizadas?

Pode variar de empresa para empresa, mas os rankings de soft skills mais valorizadas costumam ser parecidos. Confira um resumo:

FonteSoft skills no topo
Pearson/Opinion Box (2025)63% valorizam resolução de problemas; 62% comunicação, trabalho em equipe e inteligência emocional
Evermonte Institute (2025)70,3% destacam comunicação e escuta ativa; 69,4% inteligência emocional
Catho (2026)61,7% inteligência emocional; 54,5% pensamento crítico; 46,7% adaptabilidade
Think Work Lab (2026)75% proatividade e trabalho em equipe; 69% planejamento; 67% comunicação
LinkedIn (2025)resolução de conflitos, pensamento analítico e comunicação

Comunicação: a habilidade que abre todas as portas

O levantamento do Evermonte Institute com mais de 300 líderes empresariais mostrou que comunicação e escuta ativa lideram com larga vantagem: 70,3% dos executivos a consideram a soft skill mais demandada. Isso significa não apenas falar bem, mas ouvir com atenção, interpretar mensagens e se expressar com clareza, especialmente em ambientes colaborativos.

Como desenvolver? praticando. Apresente trabalhos na faculdade. Participe de debates. Peça para alguém assistir a uma apresentação sua e dar retorno sobre clareza, ritmo e postura. Em casa, grave-se falando sobre um tema que você domina. Ouvir a própria voz é um exercício desconfortável, mas funciona.

Inteligência emocional: a base de todas as outras

Para 69,4% dos executivos, a inteligência emocional vem logo atrás. Ela é considerada o principal propulsor de todas as outras competências: sem equilíbrio emocional, não há boa comunicação, não há resolução de conflitos, não há adaptabilidade. A pesquisa da Catho com 61,7% de menções confirma: as empresas buscam profissionais que sabem reconhecer sentimentos, controlar impulsos e agir com assertividade.

Como desenvolver? Observe suas reações. Antes de responder uma mensagem que te irritou, espere 10 minutos. Identifique o que te tira do sério e tenha um plano para quando isso acontecer. Peça feedback aos colegas sobre como você reage sob pressão. Inteligência emocional não é sentir menos; é perceber o que se sente e escolher a resposta.

Proatividade, adaptabilidade e resolução de problemas

A Think Work Lab ouviu 260 profissionais de RH e revelou que proatividade e trabalho em equipe são as competências mais valorizadas, cada uma citada por 75% das empresas. A adaptabilidade aparece em 46,7% das respostas da Catho, e o motivo é simples: ambientes de trabalho mudam o tempo todo. Quem se ajusta rápido sem perder produtividade sai na frente.

A resolução de problemas, apontada como prioridade por 63% dos brasileiros na pesquisa da Pearson, é o coração da empregabilidade. O jovem que chega com uma solução, em vez de só apontar o problema, já se diferencia.

Como desenvolver? Pare de esperar que as tarefas caiam no seu colo. Pergunte ao seu gestor: “tem algo que eu possa fazer além do que está planejado?” Se a empresa ainda não tem um programa formal de estágio ou aprendizagem, peça para ajudar a pensar em um. Quanto à adaptabilidade, exponha-se ao diferente: trabalhe em grupo com gente que você não escolheria, assuma funções que não domina e veja o erro como dado, não como fracasso.

Trabalho em equipe e colaboração

O trabalho em equipe não é apenas “saber se dar bem com os outros”. Envolve escuta ativa, disposição para ajudar, capacidade de dar e receber feedback e humildade para reconhecer quando o outro sabe mais. Na pesquisa da Think Work Lab, 75% das empresas classificaram essa habilidade como muito relevante.

Como desenvolver? Participe de projetos coletivos na faculdade e não seja aquele que faz tudo sozinho. Atue como representante de turma ou ajude a organizar eventos acadêmicos. Em casa, colabore: assuma responsabilidades compartilhadas e entregue a sua parte no prazo, sem que ninguém precise cobrar.

Organização e gestão do tempo

Planejamento e organização aparecem em 69% das respostas. O estagiário que cumpre prazos, administra bem o tempo e mantém o foco nas entregas ganha confiança muito antes de mostrar qualquer resultado técnico.

Como desenvolver? Use um calendário. Não confie na sua memória. Liste as tarefas do dia e priorize. Se você entrega tudo no último minuto, programe-se para terminar dois dias antes. Pequenos ajustes mudam a percepção que os outros têm de você mais rápido do que qualquer certificado.

E as hard skills?

Soft skills não substituem o conhecimento técnico, é claro. A pesquisa da Think Work Lab mostra que 76% das empresas classificam o domínio técnico da área como muito relevante na contratação. O mundo do trabalho quer profissionais que saibam fazer e que também saibam se relacionar, resolver problemas e se adaptar. Se é a técnica que abre a porta, são as soft skills que fazem você permanecer e crescer.

Como desenvolver soft skills se a escola não ensina?

A pergunta que os jovens fazem com frequência é: “como vou desenvolver algo que ninguém me ensina?”. A resposta está nas pequenas decisões diárias e no que você faz do seu tempo livre. Ações práticas que funcionam:

  • Projetos voluntários: envolver-se em causas exige comunicação, organização e trabalho em equipe.
  • Atuação como representante de turma ou líder de grupo: negociar com professores e colegas desenvolve escuta, negociação e resolução de conflitos.
  • Busca ativa por feedback: pergunte a professores, colegas ou gestores: “o que eu posso melhorar?”. E, mais importante, atue sobre a resposta.
  • Cursos livres gratuitos: plataformas online oferecem conteúdos sobre comunicação, inteligência emocional e liderança. O estudo da Pearson mostrou que 54% dos brasileiros preferem formações online para desenvolver habilidades interpessoais.

Soft skills no currículo: o que escrever

Convenhamos que listar “proativo” ou “comunicativo” no currículo não convence mais ninguém. O que convence é a evidência, então, em vez de escrever “tenho boa comunicação”, escreva “apresentei trabalhos para turmas de 30 pessoas e fui eleito representante de curso”. O recrutador precisa ver que você não apenas diz que tem a habilidade, mas também que você a exerceu.

Em entrevistas, use exemplos: “quando o projeto X atrasou, sugeri realocar tarefas e conseguimos entregar no prazo”. Mostre menos adjetivos e mais história.

O CIEE SC pode ajudar no desenvolvimento de soft skills?

O CIEE SC não se limita a conectar jovens a vagas. As Oficinas Socioeducativas (OSE) do programa abordam justamente comunicação, relacionamento interpessoal, comportamento e preparação para o mundo do trabalho.

Além disso, o acompanhamento pedagógico durante o estágio ou programa de aprendizagem ajuda o jovem a identificar pontos fortes, receber feedback estruturado e evoluir ao longo do contrato.

O CIEE SC apoia jovens e empresas nessa jornada. Fale com a gente!