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Foto: Jéssica Schmidt.

Orientar os jovens sobre os direitos humanos e inspirá-los a tornarem-se agentes da tolerância e da paz é o principal objetivo da Youth for Human Rights International no Brasil (YHRI – Juventude pelos direitos humanos), fundada no país pelo catarinense Israel Rocha, de 22 anos, que nesta segunda-feira (25) palestrou para os aprendizes do CIEE Florianópolis, abordando temas como empoderamento, direitos humanos e protagonismo.
Israel contou sobre sua história, desde quando começou a aprender inglês, até sua primeira aula para algumas crianças. “Eu encontrei um professor no Campeche que dava aula de inglês, e eu enchi o saco dele para poder estudar, até que ele deixou eu assistir as aulas, desde que eu o ajudasse. Passou um tempo e ele começou a me dar muitas tarefas e em um dia, eu tinha uns 13 anos, ele pediu pra eu dar aula para algumas crianças. Fiquei pensando em como iria poder passar tudo o que aprendi para outra pessoa. Foi aí que eu aprendi a preparar uma aula e compartilhar meus conhecimentos”, disse.
Os sonhos se concretizando
Passado um tempo, Israel começou a ver seus alunos indo para outros países, conhecendo outras culturas e se questionou “por que eu não posso?”. “Eu só conseguiria sair do país se conseguisse uma bolsa. Em 2010 fui campeão de Judô, e estava super empolgado acreditando que viajaria para outro país, aí no dia do sorteio da cidade que iria ser o mundial, saiu Rio de Janeiro. Podia ser qualquer lugar do mundo, mas caiu no Brasil”, contou, arrancando risos da plateia.
Ao voltar para Florianópolis após a competição, o jovem, agora com muito mais vontade de encontrar uma bolsa para viajar para outro país, descobriu o Programa Jovens Embaixadores, do governo americano, que seleciona jovens de escolas públicas do Brasil para participar de um treinamento nos Estados Unidos. Na primeira inscrição o jovem não obteve êxito. Na segunda, dos mais de 15 mil candidatos, foi selecionado.
“Estudei no Colégio Militar com bolsa e me formei como primeiro colocado da sala, o que foi uma quebra de paradigma, um filho de civil ganhando este título. Em janeiro de 2014 eu fui para a capital dos Estados Unidos, e no dia do meu aniversário, completando 18 anos, eu estava visitando a Casa Branca. Nunca imaginei que isso aconteceria comigo”, relembrou.
Ainda nos Estados Unidos, o jovem foi acolhido por uma família na Carolina do Norte, em uma comunidade negra, onde teve a oportunidade de aprender sobre Hip Hop, basquete de rua, além de entender a questão racial no país.
“Eu pude compreender muitas coisas e refletir muito sobre estas questões. Foi aí que eu pensei: como vou voltar para Florianópolis e poder compartilhar tudo isso com os jovens?. Pensando em tudo isso, quando voltei para os Estados Unidos eu desenvolvi um projeto chamado Líderes do Amanhã, que tem o objetivo de formar e conectar jovens para impactar a sociedade em prol dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Superação
Filho de pai deficiente auditivo, Israel presenciou diversas vezes o preconceito. No terceiro dia do vestibular que prestou para Direito na UFSC, o pai sofreu um acidente enquanto cortava uma árvore e amputou três dedos.
“Naquele dia passou toda a minha vida na cabeça, e eu só conseguia pensar em tudo que aconteceu, mas eu precisava estar ali, precisava fazer a prova. Quando cheguei em casa, vi meu pai triste pela primeira. Mas as ações dele falam tão alto, que eu nunca precisei escutar sua voz, ele sempre me ensinou com o exemplo. E naquele dia eu escrevi uma poesia para ele chamada ‘Mãos para me ouvir’“, destacou emocionado.
Com toda a trajetória de vida e liderança, o jovem entendeu, então, que a partir daquele momento ele poderia ser quem ele quisesse. “Todos nós podemos ser tudo o que quisermos. O Líderes do Amanhã passou de uma cidade para oito, e eu comecei a liderar três mil jovens no país inteiro. No ano seguinte eu fui para Arequipa, no Peru, para dar aula de Judô para 22 meninas em situação de abuso infantil e foi um momento de muito desapego das coisas materiais, muita conexão comigo e com as meninas “, ressaltou.
Israel ensinou cinco perguntas importantes para a reflexão na vida dos jovens: Quem eu sou? Pra onde eu quero ir? Eu me comunico bem? Tenho compromisso? Estou me superando?, e finalizou ponderando que não estamos em uma era de mudança e sim em uma mudança de era.
“Precisamos nos conectar afim de recuperar tudo o que perdemos até agora, para criarmos um futuro melhor, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos é algo muito simples e que nos conecta como ser humano em qualquer lugar do mundo, e talvez tenhamos perdido esse sentido de ter um mundo de mais paz, amor e compreensão”, encerrou.